Entre a Fúria e o Desejo
Personagens principais:
Ayla Enora é uma mulher marcada pelo destino. Seu único objetivo na vida é vingança contra o homem que a violentou e matou sua família. Mert Jansenh é o homem que se interpõe em seu caminho. Ambos são duros e frios, pois vivem no mundo do crime, mas em lados opostos. Eles se encontram por acaso e a paixão cresce entre os dois cheia de fúria e desejo. Conseguirão superar suas diferenças e viver todos os sentimentos aos quais estão destinados?
Capítulo 1
Olho por olho. Era assim que as coisas funcionavam por ali. Ayla sabia que cedo ou tarde alguém do seu grupo seria assassinado por um dos homens de Colt Jansenh. Colt Jansenh era um homem de cerca de sessenta anos, baixo e atarracado, beirando o sobrepeso. Cabelos grisalhos e olhos acinzentados. E era perigoso. Muito perigoso. Não vacilava ao liquidar inimigos e adversários. Era um dos homens que controlavam o tráfico de armas local.
Ayla trabalhava para um contrabandista chamado Jacob Jadrich. Semanas atrás, um capanga de Colt Jansenh foi morto acidentalmente por um dos homens de Jacob, durante um incidente com um carregamento de mercadorias contrabandeadas.
Era só esperar a revanche.
Jacob contrabandeava qualquer tipo de mercadoria, exceto drogas e armas. Por princípio, conforme ele mesmo dizia. Mas isso não significava que ele não era duro quando precisava. Ele era. Lidava com cães, todos tendo que ocupar o mesmo espaço. Mataria, se preciso fosse.
Um descuido e lá se vai um dos homens de Jansenh. Não, isso teria um preço. Como dito, olho por olho.
Ayla Enora. Cabelos longos e negros, sedosos e volumosos emoldurando um rosto de traços finos e harmoniosos. Olhos também negros, como duas obsidianas; profundos e hipnotizantes. Transmitiam mistério e intensidade. Cílios longos e curvados e que destacavam ainda mais o brilho que emanava de seus olhos. Corpo definido pela prática de exercícios; um metro e setenta e quatro centímetros de altura. Sua altura fazia com que se destacasse entre a multidão, conferindo-lhe uma presença magnética e imponente. Ao andar, seus movimentos eram graciosos e fluidos, como se estivesse deslizando em uma dança silenciosa. Era de uma beleza fatal. Sabia que era linda e também que isso poderia ser usado como lhe convinha. Tinha vinte e oito anos.
Era discreta, não gostava de atrair a curiosidade das pessoas ou de outros grupos de contrabandistas. Muitos eram extremamente perigosos, como os contrabandistas de drogas e de armas. O único traço de vaidade que se permitia era o cabelo. Usava-o solto em cachos largos a caírem pelas suas costas. Não usava maquiagem, mas não precisava. Com o rosto em formato de coração, pele macia como pêssego e olhos brilhantes, não precisava de nada adicional.
Seu trabalho com Jacob começou por acaso. Ayla tinha plena consciência de que não estava do lado certo da vida, mas foi o tipo de trabalho que lhe permitiu sobreviver. Jacob era o mais próximo de um pai que Ayla conhecia. Ele a retirou das ruas e deu-lhe um direcionamento. Não fosse ele… nem queria imaginar onde estaria agora. Jacob era um homem alto, na casa dos sessenta anos. Um pai e um avô, ela não saberia dizer. Tinha cabelos grisalhos, olhos negros e era um homem solitário após a morte da esposa e do único filho deles durante o parto. Foi ele quem acolheu Ayla e lhe ofereceu um lar.
Desde cedo ela revelou um talento especial para armas. Atirava sem errar o alvo. Era uma assassina, matava se preciso fosse. Foi Jacob quem lhe ensinou tudo o que sabia, inclusive a lutar. Ela teve muita sorte por ter encontrado Jacob em seu caminho.
Jacob, certa vez, perguntou-lhe qual o sentido que ela dava para sua vida. Ela sabia muito bem qual era: vingança. Vingança contra o homem que a violentou. O homem que ela mais odiava. Aquele por quem ela estava procurando a vida toda até então. Seu algoz e carrasco. Jamais ela iria esquecer o que ele fez com ela. Matou sua família e a violentou. “Ela só tinha quinze anos, pelo amor de Deus!”
Ele pensou que a matara também, mas ela sobreviveu e se preparou para matá-lo um dia. Um dia. Esse dia havia chegado.
Jacob sabia de seus planos de vingança, mas desconhecia o assassino de seus pais. Contudo, era um homem inteligente demais para não descobrir que era Sid Jansenh o alvo do ódio de Ayla.
Sid Jansenh, filho de Colt Jansenh. Vil. Estuprador. Uma combinação de beleza física e maldade interior. Uma mistura intrigante e perigosa, capaz de envolver e seduzir, mas também de causar danos e destruição.
Ayla pesquisou muito a respeito dele. E como ela o descobriu? Por uma foto na internet. Jamais ela esqueceria aquele rosto. Traços faciais bem definidos, expressivos e um porte físico invejável. Olhos muito azuis, mas que transmitiam a frieza e a falta de empatia que revelavam sua verdadeira natureza.
Ele podia pensar que a destruíra, mas ela estava viva. E preparada para matá-lo. Vingaria não só a si mesma, mas outras vítimas de seu caráter manipulador, egoísta e sem escrúpulos. Ela investigou a fundo sua vida de pecados e descobriu outras vítimas como ela, algumas caladas pelo poder do dinheiro; outras por uma bala na cabeça.
Colt Jansenh estava disposto a revidar a morte de um de seus homens. Ayla utilizou as fontes de informação que tinha e descobriu que Sid Jansenh é quem faria o serviço. Perfeito. Ela estaria preparada. Não podia pensar em algo mais justo do que matar Sid Jansenh.
Não estava ansiosa pela espera porque não podia errar. Estava calma. Muito calma. Ela mandara vigiá-lo. Obtivera informações a respeito dele. Muitas. Sabia tudo sobre ele. Sabia, especialmente, que era um homem que não merecia viver.
E tudo aconteceria naquela noite. Nas docas.
O cenário estava meticulosamente preparado, como uma teia tecida por uma aranha experiente. As docas eram um lugar isolado, longe dos olhares curiosos, onde as sombras dançavam e sussurros inquietantes ecoavam pelo ar. Naquela noite o carregamento chegaria às duas horas da manhã. Pontual. Ayla e seus homens iriam supervisionar tudo atentamente, armas em punho. Ouvidos alertas.
Nada disso seria necessário se fosse algo legal. Ou se Colt Jansenh não estivesse disposto a atacá-los. Mas todos os homens de Ayla estavam preparados.
Verificou se sua arma estava em ordem. Tudo certo. Agora era só esperar.
“Maldito Sid! Teria que cancelar seu compromisso com uma garota e fazer o serviço no lugar dele! Maldito seja! Bem na sua noite de folga.” – Pensava Mert sobre o primo. Mert Jansenh, um metro e noventa e quatro centímetros de altura, ombros largos, corpo atlético, olhos azuis e cabelos negros bem penteados; alto e enigmático. Os traços faciais eram simétricos e harmoniosos, com um maxilar anguloso que denotava masculinidade. Seus olhos azuis, profundos e expressivos, revelavam intensidade e determinação. As sobrancelhas bem definidas realçavam seu olhar penetrante. O corpo esculpido era resultado de disciplina, dedicação e horas de exercício árduo. Seus músculos bem definidos e a postura confiante refletiam sua força interior. Tinha trinta e sete anos.
Não tinha a vida que escolhera. Ele sabia disso. Fora levado para o outro lado, o lado errado da vida, pelas circunstâncias do destino. Os pais morreram cedo, restando-lhe ser recolhido pelo seu tio, Colt Jansenh. Como Colt Jansenh era um contrabandista e assassino, a vida de Mert passou a ser definida pelos valores do tio. Assim, Mert carregava consigo uma aura sombria que intimidava até mesmo os mais corajosos.
Era rápido e letal. Respeitado pelos homens de Colt Jansenh. Admirado. Todos queriam ser como ele. Corajoso. Destemido.
Seu carma: Sid Jansenh. Ele e Sid, desde cedo, ainda crianças, mediam forças. Quando foi morar na mansão do tio, após a morte dos pais, Mert ainda era um menino franzino e, por isso, apanhou muito do primo. Até que aprendeu a revidar. Certa vez lhe dera um soco que o primo jamais esqueceu. Foi somente aí que Sid passou a manter distância de Mert, embora claramente o odiasse.
Desse modo, desde cedo, Mert aprendera a ser duro e se tornou, sem o querer, o braço direito de seu tio. Isso despertou a ira de Sid que achava que Mert estava usurpando seu lugar ao lado do pai.
Mert conhecia Sid muito bem. Conhecia seu caráter manipulador. Sid era um homem surpreendente. À primeira vista parecia ser perfeito, mas olhando mais profundamente é que se percebia sua crueldade interior.
Por que não fora fazer o serviço que Mert agora assumiu? Porque estava embriagado. Isso significava, nessa e em outras vezes, que era Mert quem teria que assumir o seu lugar.
Mert gostava de se preparar. Não é todo dia que se mata uma pessoa. Ele gostava de saber tudo sobre a vítima a fim de evitar cometer erros. Mas, não era o caso ali. Seu tio lhe ligara há poucos minutos lhe pedindo que eliminasse um dos homens de Jacob Jadrich. Não importava quem. “Retaliação”, era como os contrabandistas diziam.
Os homens de Jadrich estariam nas docas fazendo um carregamento de mercadorias. Era o lugar perfeito. Era só esperar um descuido ou que um deles estivesse sozinho ou afastado para eliminá-lo.
E como era de se esperar, Colt, como sempre, protegia Sid. Pois seu tio estava consciente de que Sid estava bêbado e incapaz de fazer o que quer que fosse. Já era notório que ele bebia cada vez mais. Filho único de seu tio, Sid era mimado e não podia ser contrariado. Além disso, era um homem violento e com traços indizíveis de crueldade.
Ele conhecia o primo. Sid era capaz de tudo.
Mert verificou se sua arma estava em ordem. Se tudo corresse bem - e, claro que ocorreria - Mert logo estaria de volta.
Já estavam terminando de carregar os caminhões, próximo do alvorecer. "Onde ele estaria?" - Pensou Ayla. “Decerto esperando que algum dos homens estivesse sozinho. Covarde!" - Ayla quase falou em voz alta. "Mil vezes covarde!"
___ Kostas, assim que terminar o carregamento quero todos fora daqui. - Falou Ayla a um de seus homens.
___ Perfeitamente, Ayla.
Pronto! Era a situação perfeita para Ayla atrair Sid Jansenh.
Após a saída dos homens em uma SUV preta, Ayla esperou mais um pouco em frente ao armazém. Não havia ninguém àquela hora. A pouca iluminação dificultava a atenção de quem quer que fosse.
Foi quando ela ouviu um barulho atrás de si.
___ Jogue sua arma no chão e vire bem devagar.
Mert estava apontando a arma para Ayla. Ela estava de costas para ele. No escuro, era possível distinguir apenas um corpo. Por isso, Mert agia com extrema cautela.
Mais uma vez ele surpreendia sua presa. Ele poderia ter matado o homem de Jadrich, mas preferia matar olhando de frente para a pessoa, nunca de costas. Sempre de frente.
Ayla virou bem devagar, no momento em que o luar iluminava seu rosto.
"Deus! Era uma mulher!" - Pensou Mert. Somente então pôde vislumbrar seu corpo e o rosto. "Lindos!"
Por um segundo, Mert vacilou. Fora chamado por seu tio para matar uma pessoa e essa pessoa agora tinha um rosto. E um corpo. Delgado. Feminino.
Fascinante.
O silêncio pairava no ar, criando uma tensão palpável. O tempo parecia se arrastar enquanto esperavam. Cada som ou movimento mínimo fazia os músculos de ambos se contraírem, prontos para agir. Os olhares eram fixos.
Ayla também pensou por um segundo no que fazer. Esperava matar Sid Jansenh e apareceu outro homem no lugar dele. E ainda por cima conseguiu surpreendê-la pelas costas. Quem seria ele?
Ela tinha se virado bem devagar e agora o encarava. Ele era muito alto. Ayla era uma mulher alta, mas aquele homem era muito mais.
Intimidante.
Mas Ayla não era mulher de se deixar intimidar. Nunca.
Deixou a arma no chão bem devagar, sem tirar os olhos dele. Teria que ver até onde isso ia dar. Como garantia, tinha um punhal muito bem guardado. Se precisasse ela o usaria contra ele.
Enquanto Ayla pensava em uma mudança de planos, mal sabia Mert que aqueles poucos segundos mudariam o curso de sua vida para sempre. Da vida de ambos.
Não podia matá-la. Não mais. Não assim, à queima roupa. Quem seria ela? Seria do bando de Jadrich?
Antes de tomar uma decisão precisava de respostas.
Teria que levá-la junto com ele.
___ Faça o que eu mando e você vive. - Falou Mert apontando a arma para Ayla. - ___ Há um carro estacionado ali à frente. Você vai caminhar até ele devagar.
Sempre apontando a arma para ela, eles se dirigiram ao carro. Mert tinha um pedaço de corda e com ele amarrou as mãos dela.
___ Agora você vai entrar no carro e ficar bem quietinha. Nós vamos dar uma volta.
A situação se complicara, mas Mert precisava saber quem era ela. Por que? Não iria pensar nisso agora. Ele a levaria para seu apartamento e a trancaria lá até encontrar as respostas que ele queria.
Ayla poderia muito bem fugir, mas não o fez. Por quê? Não saberia dizer naquele momento.
Ele amarrou suas mãos com força. Ela estava no carro, no lado do passageiro. Quieta. Imóvel. Não se percebia nenhum som a não ser o da respiração de ambos. Até que o estranho quebrou o silêncio:
___ Quem é você? - Perguntou Mert.
Silêncio.
___ Você ouviu o que eu disse. Eu perguntei quem é você?
Depois de um momento, Ayla resolveu falar:
___ Sou aquela que você deveria matar. Por que não o fez?
___ Eu não preciso dizer isso a você. Cabe somente a mim decidir onde e quando matá-la.
E continuaram o trajeto em silêncio até o apartamento de Mert. Ao chegar, estacionou ao lado da portaria e disse a Ayla:
___ Preste bem atenção. Eu vou soltar você e você vai caminhar até o apartamento, fui claro? Sem falar ou gritar para alguém da recepção. Está vendo aquela porta? - E apontou para uma gigantesca porta na entrada do edifício - ___ Você vai passar quietinha por ela e só vai falar quando eu mandar.
Ayla, no fundo, estava se divertindo com seu sequestrador. Tão previsível e tão tolo. Mal sabia ele que ela poderia fugir a qualquer momento que quisesse. Tinha seu punhal afiado muito bem escondido e era perita em artes marciais. Tolo! Mas faria o que ele queria. Provavelmente era um dos homens de Colt Jansenh fazendo o serviço no lugar de Sid. Com certeza devia ser Mert, o braço direito dele.
No elevador, ambos se encararam.
___ Você é Mert Jansenh. - Disse Ayla.
Ele também não respondeu, a princípio.
___ Não lhe interessa quem eu sou. Como eu disse, faça o que eu disser e continuará viva. - O elevador parou e eles saíram. - ___ Venha, chegamos.
Ayla entrou no apartamento dele. Tinha cheiro de homem.
Era um espaço sofisticado, de decoração minimalista. Sem portas. Poucos objetos pessoais em exibição. Um saco de boxe pendurado. Aparelhos para exercitar-se. O espaço transmitia uma sensação de estilo contemporâneo e masculinidade refinada. Amplas janelas de vidro eram como paredes que deixavam o sol do alvorecer entrar, causando uma pequena luminosidade. Havia poucos móveis, uma poltrona, uma enorme cama de casal. Os lençóis brancos estavam remexidos e os travesseiros fora de lugar. “Este era um homem que não tinha vergonha de nada” - Pensou Ayla.
Mert indicou que ela se sentasse na única poltrona que havia. Ele continuou de pé, decerto para um interrogatório.
___ Você trabalha para Jadrich, estou certo?
Ayla resolveu desafiá-lo.
___ Você deve saber, foi contratado para me matar.
___ Responda!
Ayla pensou por um momento antes de responder.
___ Sim.
“Droga!” - Pensou Mert. “Por que não disseram que havia uma mulher?”
Mert sabia que Jadrich era um contrabandista pequeno perto de seu tio. Seu tio traficava armas, o que era muito mais perigoso. Era um barril de pólvora, sempre prestes a explodir. Jacob Jadrich era peixe pequeno, os grandes não se importavam com ele, mas seria preciso dar o recado. Matar um dos homens dele a fim de manter a ordem e a hierarquia das coisas. No caso, como Mert poderia adivinhar que um dos homens de Jadrich era uma mulher? Uma linda mulher.
“O que era isto? Estava ficando louco?” - Pensando agora com mais lucidez, o que Mert fizera fora um erro. “Por que trazê-la comigo?”
Os olhos de Ayla estavam fixos em Mert. Ela sabia o poder que tinha sobre os homens. Cada movimento dela era observado com intensidade, como se o mundo ao redor de Mert desaparecesse, restando apenas ela em seu campo de visão.
Assim, era como se Mert estivesse sob o efeito de um feitiço irresistível. Começou a sentir um anseio por se perder na presença dela. Ele se inclinava para a frente, intencionalmente.
“Deus! O que era isto?” Estava perdendo a razão por uma desconhecida.
Uma linda desconhecida.
E Mert, acostumado às mulheres, sabia reconhecer uma mulher bonita. Poderia se perder nela, se quisesse, mas a razão falou mais alto nessa hora. Tomou, então, uma decisão.
___ Você fica aqui até eu obter as respostas que eu quero. Nem tente fugir ou gritar por ajuda. O apartamento é à prova de som, totalmente monitorado. Saberei tudo o que fizer aqui. Não tente procurar por armas ou qualquer outro objeto, não vai encontrar nada, nem mesmo um celular. Aproveite a estadia. Eu voltarei logo.
A campainha tocou.
“A essa hora da manhã e provavelmente voltando de uma farra só podia ser uma pessoa. Decerto viera conferir se o serviço fora realizado, Droga!" A última pessoa que ele esperava ver. - Pensou Mert enfurecido.
Mert abriu a porta.
Era Sid.
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