Máscaras do Desejo
Personagens principais:
Um clube de sexo. Uma mulher misteriosa usando uma máscara. Adrian Tampest não poderá resistir. Avni Haward, uma escritora de livros eróticos que prefere permanecer anônima. Junte estes ingredientes e você terá uma explosão de sensualidade em um jogo de sedução no qual não é possível saber quem seduz quem. O problema é que Avni tem muitos disfarces e o perigo maior é conviver lado a lado com Adrian. Conseguirá Adrian descobrir quem ela realmente é?
Capítulo 1
Adrian Tampest já estava há cinco dias em Londres. Tinha saído dos Estados Unidos em um dia de sol e aterrissou em Londres com uma garoa fina. O voo fora atribulado e o pouso forçado exigiu do piloto muita habilidade. Um prenúncio, talvez, do que o aguardava. Não queria voltar, mas as circunstâncias o obrigaram. O pai sofrera um infarto e era preciso alguém para cuidar dos negócios. Melford Tampest, o pai de Adrian, era dono de um império editorial e ele, Adrian, era seu único herdeiro. Em algum momento precisaria ver o pai no hospital. Esse pensamento o deixava desconfortável e, por ora, resolveu fugir dos problemas e procurar os velhos amigos. Sabia que estava fugindo, mas algumas feridas custam a cicatrizar. E a briga com seu pai ainda estava viva em sua memória, motivo pelo qual fora morar nos Estados Unidos. Brigaram por causa da editora. O pai não acreditou que ele se sairia bem nem aceitara suas ideias. Aliás, ninguém acreditou nele. Mas sozinho ele venceu, era um homem bem-sucedido. Tivera sucesso em um país diferente, tão diferente do lugar para onde estava voltando agora. E voltar não estava nos seus planos.
Como parte de sua estratégia de fuga momentânea, estava ali, cruzando as portas de um clube de sexo, a fim de reencontrar-se com seu velho amigo dos tempos de colégio, Stephen Statener. Tinha ligado para Stephen e marcado um encontro.
Assim que o viu, Stephen abriu um largo sorriso.
___ Adrian Tampest! Há quanto tempo!
___ Stephen! Dez anos para ser exato! Estive nos Estados Unidos por dez anos... Mas agora que nos reencontramos, parece que ainda somos aqueles rapazes jovens e despreocupados.
___ Ora, ora… você tem razão, mas muita coisa mudou na velha Londres desde que você se foi. E o que o traz de volta?
___ Meu pai sofreu um infarto. Sobreviveu, mas requer cuidados. Vim para ajudá-lo a administrar a editora. E você? – Sorrindo, relanceou o olhar em volta. - ___ Um clube de sexo?
___ Exatamente. Aqui os negócios são um prazer! Venha, vamos nos sentar. Tome algo comigo.
Stephen chamou um garçom que passava e pediu duas bebidas.
___ Lembrou-se dos velhos amigos?
___ Sim, achei bom revê-lo. Esses dez anos lhe fizeram bem.
Não só o tempo fizera bem a Stephen, ele era realmente um homem bonito. Cabelos pretos, curtos. Olhos negros, uma barba bem aparada. Vestia um paletó negro que realçava sua pele. Era uma mistura de sofisticação e sensualidade.
Ele e Adrian estudaram juntos no colégio interno. Eram inseparáveis. A amizade se manteve na vida adulta, apesar de Adrian morar nos Estados Unidos.
Dono de um clube de sexo, Stephen resolvera transformar uma casa antiga, a herança da família, em um clube destinado a pessoas que apreciavam o sexo e gostariam de por em prática suas fantasias. Algum tempo depois, o negócio provou ser um sucesso.
___ Como é ser dono de um clube de sexo?
Stephen riu com prazer. - ___ Aqui discrição é a palavra-chave. Geralmente, as pessoas que frequentam o clube querem ser anônimas. Uns usam pseudônimos ou apelidos; outros preferem usar máscaras. Os quartos são discretos. A decoração é minimalista, mas o ambiente é elegante e sensual, você deve ter percebido pela música e pelas luzes. Você deveria experimentar. Associar-se ao clube é algo muito simples.
___ Não, não… prefiro mulheres menos misteriosas.
Stephen sorriu largamente.
___ Pois verá que o mistério é um fator de atração muito poderoso, Adrian.
Adrian não tinha problemas com mulheres. Elas o procuravam, não apenas considerando sua conta bancária. Era um amante generoso, extremamente inteligente e divertido, uma combinação irresistível que no passado já havia partido muitos corações femininos, visto que seus relacionamentos não eram duradouros. Ele se cansava muito facilmente e detestava compromissos. Por isso gostava de se relacionar com mulheres que, logo de início, sabiam quais as regras do jogo.
___ Ora, Adrian. Estou falando sério. Por que não experimenta? Posso apresentá-lo a algumas mulheres. Algumas preferem não ser identificadas, por isso usam máscaras. E tudo aqui é feito de forma consensual. O que acha?
___ Como eu disse, a resposta continua sendo não.
Mas Adrian estava dividido. Estava ali uma experiência que poderia ser interessante. Uma mulher anônima. Uma amante de uma noite. Sem laços. Sem promessas vazias. Sem um relacionamento. Valeria a pena experimentar?
Adrian e Stephen continuaram conversando por um bom tempo. Até que Stephen voltou novamente a provocar Adrian.
____ Não olhe agora, mas acaba de entrar o membro mais recente do meu clube. Você vai gostar dela, Adrian.
Adrian começou a negar, mas Stephen o interrompeu.
___ Ouça. Ela acabou de se cadastrar. Usa máscara porque não quer ser reconhecida. Está escrevendo um livro, um romance erótico e isso aqui… digamos… é um laboratório para ela. Sua preferência é por homens dominadores. Quando se cadastram no clube alguns membros deixam explícitas suas preferências. O que acha?
Adrian resolveu olhar para a recém-chegada. Ela vestia um vestido vermelho justo que denunciava os seios fartos. O cabelo negro era comprido e penteado somente de um lado. A boca… ah! A boca era bem desenhada, e o batom vermelho, num tom vivo, deixava-a ainda mais convidativa. E estava de máscara. Era impossível saber como ela era, mas o que viu, despertou-lhe a curiosidade… e o desejo. E qual não foi sua surpresa quando se viu interessado nela, observando cada gesto gracioso dessa misteriosa mulher.
Novamente a dúvida o assaltou. Valeria a pena?
Ela havia entrado e agora se dirigia ao bar. Pediu uma bebida. Um homem se aproximou dela, mas ela o dispensou. Qual teria sido a abordagem dele? Ele, Adrian, teria mais sorte?
De repente, cansado da viagem e dos problemas que era forçado a resolver, Adrian resolveu arriscar. Um pouco de adrenalina lhe faria bem e ele era dominador por natureza.
___ Bem, mudança de planos. Por que não experimentar? – Falou Adrian, decidido a conhecê-la.
___ Garanto que não irá se arrepender. Depois me conte se gostou ou não. Eu tenho certeza de que irá gostar.
Adrian levantou-se, despediu-se de Stephen e com passos deliberadamente lentos caminhou até ela.
Avni olhou à sua frente e viu um homem muito alto dirigir-se em sua direção. Até que ele chegou bem perto dela e parou. Ela pode ver que os olhos eram verdes. O cabelo castanho muito curto, cortado à máquina, o rosto bem proporcionado e a sombra da barba por fazer.
Meu Deus, ele era lindo! Vestia um paletó preto, sem gravata, o que deixava à mostra uma corrente de prata no pescoço. Uma figura intrigante e ameaçadora. Deus! Ele estava falando com ela!
___ Eu lhe ofereceria uma bebida, mas prefiro ir direto ao que me trouxe até aqui.
Ela arfou. Era com ela mesma que ele estava falando?
___ Essa noite eu quero uma mulher que faça tudo o que eu quiser. E eu quero que você seja essa mulher.
Avni prendeu a respiração. Ali estava um homem que sabia o que queria. E ele queria ela!
Nunca em seus vinte e seis anos teria imaginado isso. Onde estava com a cabeça quando se cadastrou naquele clube de sexo? Ela queria material para seu livro erótico, mas também estava ansiosa por novas experiências.
Ela engoliu em seco e resolveu aceitar o jogo.
___ Sou exatamente a mulher que deseja. – Falou uma Avni trêmula.
Ele, então, pegou-a pela mão. Olhou bem dentro dos olhos dela e disse:
___ Esteja certa disso porque a partir daqui não há volta.
Avni tremeu involuntariamente. Por um breve momento teve medo das consequências, mas se tranquilizou. Além do mais, estava de máscara, não seria reconhecida. E depois daquela noite talvez nem encontrasse mais o misterioso e belo estranho.
Caminharam para os quartos discretamente reservados para os encontros do clube. Ao fechar a porta de um deles, Adrian não se conteve e tentou retirar a máscara de Avni. Ao que prontamente, ela colocou a mão para impedi-lo:
___ Não, a máscara fica.
___ Você tem um nome?
___ Sem nomes também.
___ Mais alguma coisa? – Ele falava como se estivesse se divertindo.
___ Sem beijos e com proteção.
Proteção tudo bem, mas “sem beijos?” Adrian pensou. Tudo que ele queria era beijar aqueles lábios vermelhos de batom, saborear aquela boca cheia, e ouvir um “sem beijos” foi realmente frustrante.
___ Por que você então não me mostra como vai me dar prazer?
Avni engoliu em seco. Como dar prazer a um homem daqueles? Ele parecia enorme, abrasador, sexy ao extremo.
Meu Deus, o que faria agora? Era tudo muito bom na teoria, como nos seus livros, mas na prática… considerando ainda que nunca havia feito sexo antes! Mas lá estava ela, uma virgem de vinte e seis anos prestes a fazer sexo com um estranho. Era uma situação ao mesmo tempo excitante e amedrontadora. Por um segundo, teve vontade de rir de si mesma, o que lhe trouxe um pouco de conforto. Pois bem, colocaria as ideias de seu livro em prática. Resolveu fazer um strip-tease. Sabia que tinha um corpo bonito e firme, e os anos nas aulas de dança a deixaram segura de que ele não poderia desconfiar de sua inexperiência. Assim que fez o primeiro movimento, percebeu que os olhos dele brilharam. Duas pedras verdes que queimavam seu corpo, ela podia sentir. Parou na frente dele. Apenas com uma lingerie sexy. Virou-se. Mais porque não aguentou olhar para ele do que por necessidade. Ele interpretou isso de outro modo.
___ Muito bem, boa menina! – Disse Adrian dando tapinhas em sua bunda.
E sentiu-o beijando seu pescoço. Marcando seu corpo com uma trilha de beijos até a cintura. Ele segurou fortemente seus seios como se não quisesse largá-los. Despiu-a em questão de segundos, deixando-a somente com as sandálias. Virou-a e continuou segurando seus seios. Beijou-os e sugou-os com força.
___ Agora, tire minha roupa. – Falou Adrian em uma voz rouca.
Começou, então, a retirar-lhe o paletó. Depois, a camisa. Avni ainda se sentia insegura quanto ao desfecho daquela noite, mas totalmente excitada com o que estava acontecendo. Ela podia sentir seu perfume, seu cheiro masculino, e só conseguia pensar como isso era algo realmente delicioso.
Ele a puxou pelos braços ordenando-lhe novamente: ___ Beije-me!
Uma Avni atormentada encarou o desafio e deslizou seus lábios por aquele peito nu. O ar lhe faltava. Cada beijo era um arrepio de prazer. Foi quando ele disse as palavras que anunciaram como seria o resto daquela noite: ___ De joelhos!
Avni ajoelhou-se preparando-se para tomar o sexo dele com a boca. Não sabia muito bem o que fazer. Resolveu seguir apenas seu instinto.
Abriu as calças dele. Meu Deus! Ele era enorme! E estava tão excitado quanto ela. Depois de alguns segundos ele já estava duro e firme em sua boca. Ela sentiu que ele gemia. Mas, de repente, ele ordenou que ela se levantasse.
___ Diga "o que você vai fazer comigo?" - Falou Adrian rouco de desejo.
___ O… o que você vai fazer comigo?
___ Boa menina! Primeiro eu vou virar você de costas. – Adrian virou-a de costas para si, passando as mãos pelo seu corpo. – Agora repita comigo: "e depois?"
___ E depois? Tudo nele mexia com seus sentidos. As mãos, a voz, o cheiro dele.
___ Você vai se segurar nesse sofá e abrir as pernas. Vou entrar inteiro dentro de você. Mas só poderá gozar quando eu permitir. Fui claro? Diga "sim".
___ S… sim.
E ele o fez. Por um breve momento Avni sentiu dor, mas ela passou rapidamente. Adrian segurava seus cabelos e arremetia com estocadas rápidas. Tudo nele era poder. Havia dor, mas havia também prazer no que faziam.
Então, isso era sexo. E ela estava ali, sentindo todas aquelas sensações.
Foi o prelúdio de uma noite de sexo nada convencional que durou duas horas.
Avni, inexperiente que era, deixou que ele a conduzisse. Ele, por outro lado era um homem experiente. Estava marcado nele. No cheiro dele. Nas mãos e no que elas fizeram com sua pele. Na forma como tomou seu corpo repetidas vezes. No modo como entrou e saiu de seu sexo úmido e latejante. Mostrou-lhe como dar e receber prazer como algo natural. Nem em seus sonhos Avni imaginou ser iniciada nos prazeres do sexo dessa forma.
Seus movimentos ora eram rápidos, ora lentos. Em todos eles, ao final, Avni gozou.
Avni se libertou de seus medos e dúvidas, entregando-se à paixão. O fato de estar de máscara ajudou. Pelo menos ela não seria reconhecida. Podia inclusive fingir que era a protagonista de seu livro. Uma mulher liberada que encontrava seu parceiro em um clube de sexo. Um homem sexy e misterioso.
Tal qual ela, Avni, que naquele momento da vida real fazia sexo com um homem desconhecido. Também sexy e misterioso.
Adrian, por sua vez, não imaginava que fosse gostar tanto da aura de mistério de sua parceira. Tanto que, ao final, quando já estavam vestidos e prontos a se despedirem, tomou uma decisão:
___ Quero vê-la novamente daqui a uma semana. Mesmo horário. Não se atrase.
Avni, a princípio, não acreditou. Não sabia se ficava surpresa ou lisonjeada. Ele queria um novo encontro? Seria sensato um novo encontro? Poderia significar algo mais? Pois sim, eles teriam um novo encontro.
___ Não me atrasarei. – Respondeu submissa.
Ele abriu um largo sorriso e disse: ___ Boa menina! E saiu do quarto logo em seguida.
Avni soltou o ar que estava segurando e encostou-se na porta. "Ah! Que aventura fora aquela!" Nunca imaginou que pudesse ser assim. No começo, quando decidiu escrever um segundo romance erótico pensou em retratar a história em um clube de sexo. Seus protagonistas se encontravam no clube e se apaixonavam. Mas apesar disso, havia um obstáculo: Avni era virgem. Estava escrevendo sobre fatos que desconhecia na prática. Era uma escritora de livros eróticos, com um primeiro romance que era um sucesso e nunca fizera sexo na vida! Bem, até agora. E uma vez provado o fruto, ela queria mais.
Quando tomou a decisão de se desfazer de sua virgindade, pensou em como iria fazer isso.
Não tinha muitas alternativas. Não tinha nenhuma, essa era a verdade. Até que surgiu a ideia do clube de sexo. Tinha pesquisado a respeito para seu livro e certamente que agora tinha material suficiente para escrevê-lo.
E o fato de não beijá-lo? Avni estava morrendo de vontade de fazê-lo, mas achou o gesto íntimo demais. Na sua cabeça só os muito apaixonados se beijavam. Na hora teve essa ideia e viu quando ele olhou para ela. Como se Avni tivesse falado algo engraçado.
Por outro lado, tivera sorte. Seu parceiro era um homem muito experiente. Mas, seria prudente encontrar-se com ele novamente?
Uma parte de Avni dizia que sim. Outra parte tinha medo. Mas medo de quê? Estava protegida pela máscara e ambos eram desconhecidos um para o outro.
Melhor deixar para pensar tudo isso depois. O melhor a fazer agora era ir para casa, tomar um longo banho de chuveiro e pensar em tudo o que aconteceu.
Resolveu dar um tempo até que ele se fosse, antes de sair do quarto. Não queria ter que se encontrar com o belo desconhecido novamente. E ele nem mesmo tinha um nome.
Havia deixado seu carro no estacionamento. Achou melhor vir com seu próprio carro do que tomar um táxi.
A poucos passos dali, Adrian ainda repassava a noite que teve com aquela mulher. Sem nome. Relutou no início, mas mal podia esperar para encontrá-la novamente. Uma desconhecida. Muito prazer. Sem amarras. Sem ter que cortejá-la ou perder tempo com frivolidades. Acertou quando resolveu ceder ao desejo.
Estava ainda relembrando a noite quando seu celular tocou. Quem poderia ser aquela hora? Era Stephen.
___ Pedi a um de meus homens que me avisasse assim que você saísse. E aí, gostou de meu clube?
___ Maldito seja, Stephen! Sabe como ganhar dinheiro! Acabou de ganhar mais um sócio.
Do outro lado do celular, Stephen riu com prazer.
___ Fico feliz que esteja satisfeito. – Falou Stephen utilizando as palavras de duplo sentido propositadamente. – ___ Até mais! – E desligou, ainda rindo.
Relutante a princípio, Adrian estava extasiado com a experiência que tivera. E satisfeito, como dissera Stephen. Muito satisfeito. Tinha a sensação de que a garota era um tanto inexperiente. Mas uma garota inexperiente não frequentaria um clube de sexo. Ou frequentaria? Impossível. Ela fora incrível. Fora o melhor sexo da sua vida.
Contudo, ao sentar-se diante do volante do carro, Adrian relembrou tudo o que o levara de volta à Inglaterra. Tinha uma boa vida nos Estados Unidos, mas teve que voltar por conta da saúde de seu pai. Dali a dois dias iria conhecer a editora e ser anunciado como o novo diretor. Um estranho. Todos o olhariam desse modo. O filho pródigo que voltava e tomava o lugar do pai. Por um breve e delicioso interlúdio, aquela mulher o fizera esquecer dos problemas que o aguardavam.
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