O Jogo da Conquista
Personagens principais:
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Pense em uma mulher empoderada, brilhante, linda e realizada. Pense tudo isso e você tem Eve Hoytell, uma escritora de sucesso. O destino faz com que ela embarque em um casamento de conveniência com um homem sexy ao extremo, Andreas Denarcos. No início, sexo era tudo o que Andreas desejava de Eve. Mas aos poucos isso foi mudando e ele passou a querer mais. Ele deseja Eve por completo. Conseguirá Andreas conquistar o coração dessa mulher indomável?
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Capítulo 1
Eve Hoytell estava voltada para as amplas janelas de vidro de sua cobertura. Olhava silenciosamente a noite se formando no céu. Da altura em que estava, o barulho das ruas era diminuto, quase nada. Ouvia-se uma buzina aqui, uma freada ali, mas nada que abalasse a calma de seu apartamento muito bem localizado na frenética Londres.
Ela mesma havia decorado o local que chamava de “lar”. Apesar do tom minimalista, podia-se perceber um ou outro objeto que dava um toque pessoal à decoração do espaço. Uma sala ampla em conjunto com um espaçoso hall de entrada, cozinha e quartos separados, também amplos e acolhedores. “Um luxo!” Como ela dizia a si mesma. Sua casa representava toda a calma e leveza que pontuavam sua vida bastante agitada e que aplacavam a sua fúria interior. Ela a considerava uma de suas melhores conquistas.
Estava inquieta esta noite, como se pressentisse a tempestade se formando. Um contraste com o clima acolhedor de seu apartamento. Esse sentimento de insatisfação e ansiedade ela estava sentindo desde que acordara pela manhã. “Definitivamente, algo está para acontecer e mudar o curso de minha vida”, pensou. A tempestade anunciada estava se formando dentro dela. Uma tempestade que trazia mudanças.
Havia tomado um banho e, nesse momento, beirando o anoitecer, quando a vista de seu apartamento era riquíssima, Eve se encontrava olhando o céu. Havia algumas estrelas visivelmente esparsas. Estava vestida de preto, como sempre. Um vestido curto e justo que lhe moldava o corpo bem feito e os seios fartos. Usava o cabelo solto, ondas negras a caírem em cachos largos pelas costas. Tinha um rosto em formato de coração, olhos negros como a noite, brilhantes. Cílios grandes e espessos. Uma pele macia e luminosa, lábios cheios e carnudos. Uma boca para ser beijada. Quem a visse virava os olhos e o corpo a fim de vê-la novamente. Porque Eve não era somente uma mulher bonita e no auge de seus trinta anos. Era também muito sexy e totalmente consciente do poder de atração que despertava nas pessoas, homens e mulheres.
Eve tinha tudo o que uma mulher poderia desejar. Eve, aliás, era tudo o que uma mulher poderia sonhar em ser. Bonita. Independente. Liberada. Experiente. Rica. Conquistou tudo o que era e tudo o que tinha sozinha e se orgulhava muito disso.
Eve era uma escritora de sucesso. Tinha vários bestsellers na lista dos mais vendidos. Seu primeiro livro foi um sucesso estrondoso. E ainda se dava ao luxo de não ser surpreendida nas ruas, já que escrevia sob um pseudônimo. O começo fora difícil. Sair da casa do padrasto, sem ter para onde ir, praticamente uma fugitiva. A mãe havia morrido quando Eve completara quinze anos, deixando-a para ser criada junto à família do padrasto. O pai as abandonara logo cedo. O padrasto de Eve, Ares Antenous, grego de nascimento, era um homem preso às regras rígidas de uma família tradicional grega e queria vê-la casada com um de seus colegas de negócios, muito mais velho do que ela. Esse destino Eve não queria para si mesma, por isso fugiu da casa de Ares aos dezessete anos, praticamente sem ter para onde ir. Juntou suas economias, fez uma pequena mala e saiu de casa para nunca mais voltar.
A família de Ares consistia em poucas pessoas. O patriarca, logicamente, que governava tudo com mãos de ferro; Eleni e Dimitri Antenous, filhos do primeiro casamento de Ares, e Eve sua enteada. Eleni era mais nova do que Eve e Dimitri era o mais velho e fora treinado para ajudar o pai nos negócios da família. Embora pouco ou nada soubesse do que se passava ao seu redor. Ambos, Eleni e Dimitri, nunca gostaram de Eve que era apenas tolerada por eles naquela casa. A despeito dos filhos, Ares sempre a tratou como filha, dispensando-lhe o mesmo tipo de tratamento dado a Eleni. Somente Dimitri, por ser homem e o filho mais velho, tinha privilégios que as garotas não tinham.
O começo foi duro para Eve que aceitava qualquer tipo de emprego para sobreviver. Até que conseguiu que um editor publicasse seu primeiro manuscrito. A partir de então, outro mundo se abriu para ela.
Eve preferiu viver no anonimato a fim de não despertar o conhecimento de Ares que poderia descobrir onde ela estava, cedo ou tarde. O homem era poderoso e tinha meios de fazê-la voltar e se casar com um estranho escolhido por ele. Por isso, Eve se mantinha discreta.
Mas isso não a impedia de satisfazer seus próprios desejos. Tinha o apartamento com que sempre sonhara. Um carro esporte parado na garagem exclusiva. Muito dinheiro aplicado em investimentos que davam a ela uma renda com a qual nunca sonhara antes.
A campainha soou, interrompendo abruptamente seus devaneios e sua calma, apenas aparente.
“Quem poderia ser? E por que o porteiro deixaria alguém entrar sem tê-la avisado antes?” - Pensou Eve. A segurança do prédio onde morava era rígida. Aliás, fora por isso também que escolhera aquele local para morar.
Novamente, antes que pudesse se dirigir à porta, a campainha soou. “O que é isto? Alguém está bastante impaciente por aqui!”
Foi até a porta e a abriu.
Qual não foi sua surpresa ao dar de cara com Eleni Antenous, a filha de seu padrasto.
___ Você! - Foi a única exclamação possível de Eve. ___ Você aqui!
E antes de convidá-la a entrar ou de se refazer do susto, Eve perguntou polidamente:
___ Como descobriu meu endereço?
___ Vai me convidar a entrar?
Eve afastou-se, então, para que Eleni entrasse no apartamento.
Acompanhou-a pela sala e pediu-lhe que se sentasse.
Eleni contemplou o local antes de se sentar.
Eve sentou-se também, em frente a Eleni. Já estava se refazendo do susto que foi encontrar Eleni na porta de sua casa.
___ Imagino que esteja se perguntando o que estou fazendo aqui, mas eu explicarei tudo a você. Eu descobri seu endereço com meu pai há algum tempo.
___ Ele sabe onde estou? - Perguntou Eve, surpresa.
___ Sabe, assim que você saiu de casa ele contratou um investigador particular para que a encontrasse. Desde então, tem seguido seus passos. Ele sabe tudo sobre você. Onde mora, o que faz, quem são seus amigos. Tudo. Ele sabe praticamente tudo.
___ E como você descobriu isso?
___ Eu encontrei um relatório completo sobre você no escritório do meu pai. Foi por acaso, mas seu endereço estava nele e eu o guardei. O resto foi fácil, por isso estou aqui.
___ Imaginei que ele nunca descobriria.
___ Ele é astuto.
___ O que você quer Eleni? Decerto não se trata de uma visita social.
___ Preciso lhe pedir algo e não sei por onde começar.
___ Você me pedindo alguma coisa? É realmente de se estranhar o que esteja fazendo aqui. Nunca tivemos nada em comum. Mal podíamos conviver juntas na mesma casa.
Eve estava calma, mas extremamente intrigada com a situação. Eleni lhe pedindo algo? Primeiro, a surpresa que foi vê-la na porta de seu apartamento. Depois, o pedido inusitado de Eleni. Então essa era a tempestade que se anunciava. O fogo dentro de Eve ardia, mas ela não deixava transparecer nada. Conduzia-se de forma muito calma.
___ Pode falar. Quero saber que pedido é esse que a traz até mim. Ficarei deliciada em ouvi-la me pedir algo.
Eleni suspirou.
___ Você algum dia poderá me perdoar pela forma como a tratei? Será capaz de perdoar tudo o que eu e Dimitri fizemos?
___ Essa é outra história. Estamos aqui juntas porque você tem algo a me pedir, desculpas não cabem nesse momento, nem mesmo um pedido de perdão pela forma como você e Dimitri me trataram desde quando eu fui morar na mansão de Ares aos dez anos. Você não faz ideia de como eu sofri naquela casa, ainda mais depois da morte da minha mãe.
Eleni estava sentada e torcia as mãos. Eve pode observá-la e viu o cabelo escuro e liso preso em um rabo de cavalo, o corpo delgado, as faces pálidas, olheiras profundas. Era magra e de baixa estatura, diferentemente de Eve que sempre fora alta. Eve se lembrou de como Eleni implicava com sua altura, sempre se referindo a ela de modo desfavorável e dando-lhe inúmeros apelidos. Eve sempre se sentiu desconfortável por isso.
___ Você se lembra de quando fugiu de casa. Papai queria que se casasse com um homem escolhido por ele. Lembra-se?
___ Sim, é claro que eu me lembro. Como eu poderia esquecer aqueles momentos de terror?
___ Pois o mesmo aconteceu comigo. Ele quer que eu me case com um homem totalmente estranho a mim. Ele é um parceiro de negócios de papai. Chama-se Andreas Denarcos. Não sei se o conhece. Ele é um empresário bastante conhecido na mídia.
___ Não o conheço. Continue.
___ Papai inclusive marcou a data do casamento. Para falar a verdade está tudo pronto para o casamento. Até os convites já foram enviados. A igreja, a recepção, tudo.
___ E você, presumo, descobriu somente agora que não quer se casar. - Disse Eve em tom de ironia.
___ É a verdade. Não posso me casar com Andreas.
___ E por que não? Por acaso ele é um homem muito mais velho do que você?
___ Oh, não! As mulheres dariam tudo para casar com ele. Mas eu… eu…
___ Você… vamos, continue.
___ … Eu amo outra pessoa.
Eve ficou encarando Eleni como se já soubesse a resposta.
___ Se sempre soube disso porque deixou os preparativos para o casamento avançarem tanto? Ah, não me diga! Já sei! Ares não aprova o homem que você ama. Por acaso ele não é rico o bastante?
___ Peter é médico. Ele tem cuidado da saúde de papai, foi por essa razão que nos conhecemos. Mas papai jamais aprovaria que eu me casasse com ele. Você tem razão, Eve, ele não é rico nem influente o bastante para papai consentir no casamento. Aliás, ninguém se compararia a Andreas Denarcos. Ele é muito poderoso.
Eve pensou por alguns minutos antes de responder, um sorriso sarcástico se insinuando no belo rosto.
___ Ora, ora ora, quem diria, a bela Eleni apaixonada por um sujeito de classe média.
___ Peter não é pobre, mas não está à altura do que papai deseja para mim, como Andreas Denarcos, por exemplo. Andreas é um empresário bilionário enquanto Peter é apenas um médico que está começando a carreira. Não, Eve, papai jamais o aceitaria.
___ E o que especificamente você quer de mim, minha cara Eleni? - Eve falou parecendo estar se divertindo. A situação era realmente muito inusitada. Nem ela teria imaginado tudo isso.
Eleni pensou, ainda contorcendo as mãos, e respondeu:
___ Quero que fale com papai. Por favor, diga-lhe que não posso me casar com Andreas.
Eve parou de respirar por um momento e desatou a rir.
___ Isso só pode ser uma piada. Por que eu faria isso para você? Nunca fomos melhores amigas.
___ Porque ele a respeita. Fale com papai. Ele a ouvirá.
___ Ora, como pode ter tanta certeza disso? Nem mesmo sou filha dele! Além disso, eu o desafiei ao sair da casa dele.
___ Eve, por favor, estou implorando a você!
___ Você perdeu seu tempo vindo até aqui.
___ Mas ele se orgulha de você. Tem orgulho do que você se tornou sem o apoio de ninguém. Ele a ouvirá, tenho certeza. Eu não posso me casar com Andreas, não posso, Eve! - Eleni se levantou e desatou a andar pela sala de um lado a outro em um estado de extremo nervosismo.
Depois de um tempo andando de um lado a outro, continuou:
___ Não posso me casar com ele! Você não entende!
___ Então me faça entender. O que você ainda não me contou?
Eleni parou e encarou Eve.
___ Estou grávida.
Eve pensou por um momento antes de responder:
___ Eu imaginei que estivesse. Está desesperada. Bem, temos uma história de amor aqui. Nunca imaginei que trocaria os milhões de Ares por um grande amor sem futuro.
___ Não é sem futuro! Peter também me ama!
___ Eu sei do que você tem medo. Medo de sair de casa e perder a vida boa que você tem, caso brigue com Ares. É isso, Eleni. Ele não vai aceitar, assim como não aceitou que eu fugisse dele. Como você mesma disse, ele rastreou os meus passos. Você não imagina como eu sofri nos primeiros anos. Queria ver você ter a coragem que eu tive para enfrentar a falta de tudo: comida, segurança, um chuveiro quente, silêncio, roupas quentes no inverno…Deus! Eu não tinha dinheiro para comprar um casaco quente!
___ Não é verdade! Eu farei qualquer sacrifício para estar ao lado de Peter.
___ Então vá lá você mesma e fale com Ares. Conte a ele sua história de amor. Implore como está fazendo comigo agora. Eu realmente não tenho nada a ver com isso. Essa é uma história parecida com a minha, mas é uma história que não me diz respeito.
___ Eve, por favor, você precisa me ajudar.
___ Não, eu não preciso nem vou ajudá-la.
___ Você nunca me perdoou. - Constatou Eleni.
___ Acha que devo perdoar você por me fazer sentir indesejada? Tem ideia do que eu sofri naquela casa? Você e Dimitri me perseguindo a todo momento, me chamando de enjeitada entre outros nomes que eu não gosto de lembrar. Tudo o que eu queria era uma família, me sentir parte de uma família, de algum lugar e eu nunca tive isso em sua casa.
___ Eu imagino como deve ter sofrido.
___ Você diz isso agora que está com problemas.
___ Não Eve, eu sei que fiz muito mal a você, mas eu tinha ciúme do meu pai. Não queria dividi-lo com você. Era como uma intrusa na minha casa. Por favor, me perdoe. Eu preciso da sua ajuda. Não sei mais a quem recorrer, Papai a ouvirá, tenho certeza.
Eve se levantou e foi até o bar. Serviu-se de uma dose de uísque.
Enquanto isso, Eve pensava. Meu Deus! Que loucura era aquela! Então Ares sabia tudo a seu respeito e não fizera nada? E agora essa! Eleni grávida do namorado pobre que não seria aprovado por Ares nem de longe. Esse Andreas Denarcos deveria ser muito rico. Onde Eleni estava com a cabeça? No tal de Peter, provavelmente.
___ Eu sugiro que você mesma conte a ele. Eu não farei isso.
___ Essa é sua última palavra? Não vai mesmo me ajudar? Está se vingando de mim, não está?
___ Não Eleni, não estou. Mas esse é um problema seu, você é quem deve resolvê-lo. Mesmo que Ares saiba onde estou e o que faço, mesmo que tenha seguido todos os meus passos, como você mesma disse, não importa. Ainda é seu o problema e não meu.
___ Você tem medo dele? É isso?
___ É claro que não tenho medo dele, nem de ninguém. Consegui minha independência e liberdade com muito custo e jamais abrirei mão delas. Ares Antenous não me assusta nem um pouco.
___ Então perdi o meu tempo vindo até aqui.
___ Sim, você nem deveria ter cogitado me procurar. Mas foi bom saber que Ares não está ignorante a meu respeito. Pelo menos, sei com o que tenho de lidar. Sugiro que vá para casa e converse abertamente com ele. É seu pai. Quando ele desejou que eu me casasse eu mesma resolvi o meu problema.
___ Você fugiu de casa, o que é muito diferente.
___ Mas tive que lidar com as consequências. Acredite, não foi fácil.
___ Olhe só para você. Nem imagina o quanto a invejo. - Falou Eleni olhando ao redor.
___ Não me inveje, faça você mesma o que é melhor para você. É assustador no começo, mas vale a pena. Se você realmente o ama e pretende ter esse filho, conte a seu pai sobre isso. Ou fuja e encare as consequências assim como eu fiz há treze anos.
Eleni continuou encarando Eve e de repente, como se tivesse tido uma ideia brilhante, despediu-se e saiu do apartamento.
Eve serviu-se de mais uma dose de uísque e fez um brinde a uma pequena vingança não planejada. Quem diria! Eleni Antenous lhe pedindo alguma coisa. Nem se pudesse ter pensado em algo teria feito melhor que o destino. Agora era só esperar para ver.
No dia seguinte, à tarde, recebeu uma ligação não identificada. Pensou em não atender, mas a curiosidade falou mais alto.
___ Eve, sou eu, Ares Antenous. Precisamos conversar.
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